LUYATHA

TEXTOS, RESENHAS E HISTÓRIAS

Uma História Romântica de Casal com Diferentes Profissões e o Amor Mais Forte que Tudo

Laura e Daniel eram de mundos diferentes. Ela, farmacêutica apaixonada por fórmulas, caixas organizadas e cheiro de álcool gel ecoando pelos corredores da farmácia; ele, engenheiro com alergia à bagunça, vivia entre planilhas, cálculos na calculadora e sono perdido por causa de pontes que não podiam desabar.

Um sábado qualquer, Daniel anunciou solene:
— Laurinha, hoje eu vou organizar a estrutura da casa.
Ela, abrindo o armário de remédios com precisão cirúrgica, respondeu:
— Perfeito! Hoje eu vou organizar a química da casa.

Enquanto ele tentava montar uma estante “assistida por app”, sem que o parafuso errado estragasse o projeto, ela começou a reorganizar todo o armário de remédios.
— Isso aqui precisa de mais padronização — disse ela, colocando comprimidos em potes de cores diferentes.
— E isso aqui precisa de mais torque — murmurou ele, lutando com a chave de fenda.

Quando Daniel finalmente levantou os olhos, viu a estante quase torta, o fio de um abajur pendurado como se estivesse prestes a cair na tomada e o frasco de analgésico de “emergência” aberto sobre a mesa.
— Laura… onde está a prateleira que eu estava montando?
— Ah, agora está no centro da funcionalidade.
— E a funcionalidade da minha autoestima? Ela sumiu!

Eles começaram a discutir: ele queria tudo preso, nivelado e com manual de instruções. Ela queria tudo organizado, rotulado e com “pastinha de emergência” para cada dor de cabeça.
No meio da briga, o aspirador pifou e o ventilador desligou.
— Ótimo, agora nem a física está aprovando nossas brigas — disse Daniel, sarcástico.
— Ou a física quer que a gente pare de discutir e conserte a tomada… — respondeu Laura, rindo.

Sentaram-se no chão, entre pacotes de remédios e peças de estante, e começaram a rir.
— Eu estrago suas metas de perfeição toda vez que mudo a organização das coisas.
— E eu estrago a sua organização toda vez que tento “otimizar” o espaço.
— Mas… você ainda é o homem que eu escolhi, mesmo com parafuso solto e calculadora esquecida em cima do sofá.
— E você é a mulher que salva a minha saúde toda vez que me lembra de tomar água, mesmo quando eu fico bravo.

Naquela noite, combinaram um acordo:

  • Aos domingos, a estante ficava firme e (quase) nivelada, mas com um cantinho livre para ela colocar seus potes de “vitaminas emocionais”.
  • Às quintas‑feiras, ele podia resmungar sobre “tolerância de erro” e ela, brincar que o “medicamento contra irritação” custava um abraço.

Anos depois, quando alguém perguntava como aquele casal tão diferente continuava junto, eles respondiam juntos:
— Porque a gente aprendeu que o amor é a única fórmula que não dá errado, mesmo quando o parafuso está torto e o comprimido está no pote errado.

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